"A elaboração dum Mapa de Orientação: caso prático do Mapa de Marrazes (Leiria)"
Mapa de Marrazes (Leiria - Portugal)
Mapa-Base, Trabalho de Campo e Mapa Final
Num artigo publicado a 01 de Janeiro de 2004 no Web Site Orienteering Online, sob o título "Base map, field work, final stuff", referia-se que, apesar dos atletas praticantes de Orientação terem contacto e estarem identificados com a leitura de mapas, os quais possibilitam a prática da modalidade, na maior parte dos casos esses atletas não têm uma noção sequer aproximada de todo o trabalho levado a cabo pelos cartógrafos, desde o momento em que surge a ideia de se fazer um mapa de uma determinada área até ao momento em que a versão final desse mapa está pronta para ser utilizada, quer em provas, quer em treinos.
São três, as fases principais de elaboração dum mapa:
A - Elaboração dum mapa-base (normalmente com base em fotografia aérea da área a cartografar);
B - Trabalho de campo para introduzir correcções ao mapa-base, apenas detectáveis no terreno e que na maior parte das vezes são inúmeras, incluindo quer aspectos de relevo, quer de vegetação, quer outros;
C - Produção da versão final do mapa.
Nesse artigo era também referido, não serem raras as vezes em que um terreno difícil, associado a um mapa-base de baixa qualidade, poderá implicar cerca de 400 horas de trabalho de campo para uma área de cerca de 2,589 Km2, "apenas" para se passar da fase A à fase C. Para que se possa ter uma melhor noção do que isto significa, se considerarmos a área dum campo de futebol aproximadamente igual a 6.000 m2 (100 m x 60 m), teríamos que estes 2,589 Km2 corresponderiam a cerca de 431,5 campos de futebol, o que para as 400 horas de trabalho em terreno difícil e com mapa-base de baixa qualidade, corresponderia a cerca de 55 minutos por cada "pedaço" de área equivalente à de um campo de futebol.
Estes dados de planeamento são realmente impressionantes e tornam-se ainda mais, se verificarmos não ser raro termos mapas (à escala 1:15.000) com áreas superiores a 15 Km2 (Tomar, Facho-Burinhosa, etc.), cerca de 6 vezes mais que a tal área de 2,589 Km2 correspondente às 400 horas de trabalho de campo nas condições referidas.
São efectivamente muitas horas de trabalho para alguns minutos de utilização... Pensando um bocadinho nisto, talvez se consiga compreender melhor o trabalho dos cartógrafos e a responsabilidade que lhes pesa sobre os ombros. Se se reparar bem nos exemplos, na maior parte das vezes podemos concluir que as versões finais de alguns mapas que conhecemos, são autênticas "obras de arte"... e não o deixam de ser apenas por poderem conter algumas imperfeições, muitas vezes alvo de críticas injustas por parte de alguns atletas, por certo menos identificados com este processo e por não terem bem a noção de como se chegou àquele mapa final.
Errar é humano e até as obras dos Grandes Mestres da Pintura contêm imperfeições, na maioria das vezes identificativas e próprias do seu traço, traduzindo-se em verdadeiras "assinaturas" desses Mestres. Não é raro termos cópias dessas obras, mais perfeitas que o próprio original. O trabalho do cartógrafo é um trabalho evolutivo em termos da sua experiência e tal como acontece com os Grandes Mestres da Pintura, o traço, o grau de pormenor e detalhe em todo este trabalho de produção de mapas de orientação, varia de cartógrafo para cartógrafo.
Muitas vezes não se pensa nisto mas se, para a produção dum mapa, tivéssemos 2 cartógrafos a trabalhar em paralelo sobre uma mesma área e sem verem o trabalho um do outro, por certo no final teríamos 2 mapas semelhantes mas com aspectos de detalhe diferentes e isso é algo que nunca se conseguirá evitar.
O cartógrafo almeja a ser perfeito, sabendo de antemão que nunca o será. É esta dialéctica em busca da perfeição na elaboração de mapas, que tem permitido, num espaço temporal relativamente reduzido, assistirmos a uma evolução notável ao nível da qualidade dos mapas, no que à representação do terreno e das suas características diz respeito. Não é um trabalho fácil e por certo exige paixão, doutro modo não existiriam cartógrafos.
A este propósito, o Rui Antunes, na sua qualidade de cartógrafo, para além de conhecido dirigente e atleta do Clube de Orientação do Centro (Leiria - Portugal), teve a ideia de partilhar connosco a sua experiência na elaboração do Mapa da Mata dos Marrazes (Leiria - Portugal), à escala 1:5.000, disponibilizando para o efeito três imagens correspondentes às três fases mencionadas, relativas à mesma área de uma parte desse mapa.



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de Orientação Pedestre de Mário Santos
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Última actualização em: 16-Jan-2004 13:32:59 -0000